A praga das continuações

Quando o pessoal quer pegar no pé da Nintendo, uma das coisas que todo mundo costuma dizer é que "a Nintendo só faz jogo de Mario, Zelda e Pokémon". Não preciso falar que isso é uma besteira do tamanho de um transatlântico. Afinal, gostaria de saber qual a softhouse que tem mais franquias à sua disposição que a Nintendo.

Agora, o que me deixa realmente com a pulga atrás da orelha é que esse mesmo pessoal que reclama da Nintendo só costuma jogar continuações. Discorda? Ok, vou tentar procurar alguns dados.

Primeiro, dei uma passada pelo blog do Major Nelson para ver os dez games mais jogados na Xbox Live na última semana. A lista:

01 - Halo 3
02 - Call of Duty 4
03 - Call of Duty: WaW
04 - Gears of War 2
05 - GTA IV
06 - Battlefield 1943
07 - Marvel vs. Capcom 2
08 - 1 vs 100
09 - FIFA 09
10 - Left 4 Dead

Como você pôde notar, apenas dois deles não são continuações. E, se a gente contar que 1 vs 100 nem mesmo é um jogo retail, mas pouco mais que um "browser game", a coisa fica pior ainda.

Agora, vamos ver a Wikipedia para procurar todos os jogos que venderam mais de um milhão de cópias para cada plataforma e ver quantos deles são continuações, spin-offs ou remakes. Por ser Wikipedia, essas listas podem não estar atualizadas, mas o que eu quero é apenas ter uma aproximação razoavelmente precisa de volume, então elas servem.

- Wii: 22 de 37 (aprox. 60%)
- X360: 26 de 38 (aprox. 68%)
- PS3: 7 de 11 (aprox. 64%)

Maioria de jogos não originais em todas as plataformas? Check!

Se você ainda duvida, me responda: dos games mega-hypados do ano, qual deles é um jogo original? Que eu consiga me lembrar, tem o Brutal Legend, o jogo do Batman e pouco mais. Agora, a lista dos games com número no título praticamente não tem fim: Street Fighter 4, Resident Evil 5, Modern Warfare 2 (continuação de uma continuação!), e por aí vai...

Sim, eu sei que houve boas surpresas originais este ano, como Prototype e Infamous. Mas eles não tiveram um décimo do hype de um Resident Evil 5, concorda?

Nada contra as continuações. Ao contrário do que acontece no cinema, as continuações normalmente melhoram o que já existia de bom no original. Basta ver algumas listas de "best of" que tem por aí. Para referência, pegamos a lista da Edge inglesa e vemos que, do top 10, apenas Halo e Tetris são originais. Mas isso demonstra uma acomodação das softhouses, já que parece haver pouca vontade em buscar fórmulas novas para renovar o gênero.

E o pior é que a culpa não é delas. Não dá pra perceber que exista um clamor do público consumidor contra isso. Muito pelo contrário: hecto-litros de esperma são jorrados quando se divulga um trailer de God of War 3 com mais do mesmo, quando se anuncia a data de lançamento de Modern Warfare 2, quando é lançado um pack de mapas de Gears of War 2... Agora, quando se anuncia um jogo novo sem nenhuma marca famosa, só se ouve um clamoroso "nhé".

Injusto, não?!

  • http://bloda.wordpress.com doda

    mas esse comportamento do mercado não é recente, pelo contrário, é marca da indústria. na própria wikipedia, basta consultar as listas de mais vendidos desde a era 8 bit e constatar que as continuações dominam mais da metade das posições em qualquer console.

    a regra é faturar os tubos com uns 80% de continuações e "arriscar" uns 20% da produção em títulos novos que, de preferência, tenham potencial para continuar alimentando a máquina, se transformando posteriormente em franquias.

  • Thiago J. de Martino

    Pois é!! Com as produções milionárias que os jogos recebem atualmente não é qualquer um produtora que pode se dar ao luxo de arriscar em uma nova franquia, e depois tomar o maior prejú.... Todas as continuações acima custaram muuuuita grana para se fazer, porém o retorno é praticamente garantido para se fazer já a próxima continuação, como provavelmente acontecerá com Prototype entre outros.

  • Daniel

    Voltando a comentar!

    O problema não é a continuação em si; O problema é que, depois de um jogo estar "estabelecido" é mais fácil obter um préjulgamento que facilite escolhas. Você já tem um knowhow prévio sobre o jogo, mesmo que seja algo totalmente diferente. Você tem um preconceito que acaba lhe instimulando a provar de algo que você já conhece.

    E, claro, a industria se aproveita muito bem disso. a própria capcom foi vítima na época de lançamento de Dino Crisis, para PSOne, levando o nome de mercenária por criar uma franquia descaradamente "Resident Evil" demais. E o jogo, em si, não é ruim.

    Outro aspecto que vai de contra a inovação é o "medo" do novo e de não se conseguir se adaptar ao mesmo.

    Mas uma coisa é certa. Sendo continuação ou carne nova, tendo QUALIDADE, não fica encostado. Sempre vai ter alguém pra jogar e fazer o boca a boca.

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