Justificando a pirataria

ATENÇÃO: Este artigo é de opinião exclusiva do colunista Alexandre Taú.
O Gamerview não compartilha nem apóia necessariamente esta opinião.

OK, agora que falamos isso, podemos começar... Ao contrário do que muita gente é levado a pensar, pirataria não é um crime per se. De acordo com o Título III do Código Penal Brasileiro (Dos Crimes Contra a Propriedade Imaterial, artigo 184, que trata da violação dos direitos de autor e os que lhe são conexos - http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Decreto-Lei/Del2848.htm), apenas a pirataria com ânimo de lucro direto ou indireto é crime. A pirataria "para uso pessoal" ou "entre amigos" não é crime, nem contravenção.

Agora, isso não significa que a pirataria seja uma coisa boa. Se ninguém paga pelos jogos, quem vai fazê-los? Por mais que eu goste de jogos em Flash, não dá pra jogar só isso... Os jogos de hoje em dia são caros para produzir, e alguém tem de pagar a conta - a menos que não queira jogar nada novo durante a sua vida.

Mas, francamente, isso não significa que tenhamos que pagar para que os produtores nos façam de palhaços. O exemplo que me vem na cabeça agora mesmo é a versão para WiiWare de Tales of Monkey Island. Eu tive a manha de ler todo o tópico no fórum da Telltale Games em que se fala sobre essa versão. A Telltale culpa a falta de potência do Wii (dizem textualmente que "o Wii é menos poderoso que o iPhone") e a limitação de 40MB para os jogos do WiiWare.

Ok, não vou discutir esses argumentos. Discuto apenas uma coisa: eles por acaso não sabiam disso antes de começar a programar? Porque, OK, aceito que o jogo tenha uma qualidade de som pior por causa da limitação de tamanho. Mas uma queda no framerate para um jogo que é uma aventura Point and Click é algo inaceitável.

Na verdade, até imagino como teria sido o desenvolvimento: fizeram o jogo para PC e depois gastaram umas duas semanas adaptando mal e porcamente pro Wii - substitui as rotinas de acesso ao mouse pelas de acesso ao Wiimote, recompila, dá uma rodadinha e voilá! Aí, claro, ficou ruim e têm que dar desculpas e chamar o usuário do Wii de pouco menos que imbecil por haver comprado um console mais fraco que um celular...

Outro exemplo? Orange Box. Não a versão para Xbox 360, que é uma verdadeira pechincha - comprei o meu usado por 10 euros, teria pago o dobro só por Portal e ainda ia ficar com um sorriso de orelha a orelha. Mas a versão de PlayStation 3 (feita pela Electronic Arts) saiu toda mal-feita, cheia de bugs e queda de framerate. Claro, porque tinha que sair simultaneamente à de Xbox 360 e não tinha tempo pra testar. Então toca fazer os compradores de beta-testers e abrir um tópico no fórum da Valve perguntando quais são os problemas pra soltar um patch sabe lá Deus quando... E quem não liga o PS3 na internet pra baixar o patch, faz o quê?

A Valve também fez os usuários de palhaços com a versão original do Orange Box pra PC. Colocou no pacote dois jogos já lançados anteriormente (Half-Life 2 e HL2 Ep. 1) junto com três inéditos (HL2 Ep. 2, Team Fortress 2 e Portal) que não podiam ser comprados separadamente. Ou seja, quem já tinha os dois primeiros tinha de pagar de novo por eles se quisesse os jogos novos! Muuuito tempo depois, disponibilizou os jogos separadamente - mas claro, um monte de gente pagou por cinco jogos quando queria apenas três.

Além disso, tem os DLC's. Sim, tem DLC's muito legais (Rock Band), e atualizações que melhoram a experiência de jogo (Burnout Paradise). Mas tem também os DLC's tipo os de Beautiful Katamari, que já estão disponíveis no disco. Ou seja, a Namco fez todo mundo pagar para poder jogar coisas que eles já tinham comprado (e que conste que eu tenho Beautiful Katamari original, mas só comprei porque achei novo por cinco euros no hipermercado.)

Sim, a pirataria é muito ruim para as softhouses, os fabricantes, os lojistas e todo mundo. Mas eu não tenho vocação pra trabalhar no circo. Se me tratam bem, com respeito e fazem jogos bons, eu compro, pago e saio da loja satisfeito. Se me tratam bem, com respeito, mas fazem jogos ruins (acontece nas melhores famílias), agradeço pela atenção e deixo o jogo na prateleira - mas volto quando saia algo melhor. Agora, se querem me fazer de palhaço, eu pirateio o jogo, recomendo pra todo mundo que pirateie, empresto a cópia e ainda cuspo na cara.

  • http://twitter.com/Ratatouli Diego Hammes

    concordo em tudo que foi dito.

  • http://www.infodz.com.br André Monsev

    tá, tá, pera lá. Concordo com muito que foi dito sim, MAS RECLAMAR de pagar 100 reais por 5 jogos, MESMO que 2 deles muita gente (como eu) já tivesse antes? De qualquer forma, são 3 jogos inéditos pelo preço de 1, meu chapa. Portal, Team Fortress 2 e HL Ep2, e todos excelentes, certo? O Ep2 é muuuito bom - melhor que o Ep1 até - o TF 2 é pra jogar na internet até não conseguir mais, de tão bom, e o Portal é super interessante e legal pra quem procura pensar um pouco mais além de pular e atirar.

    Além disso, quem já tinha o Ep1 ou HL2, ficou com um jogo "virtual" extra no Steam, e podia dar pra qualquer pessoa que fizesse uma conta no Steam. Ou seja, podia dar de presente pra qualquer um. Logo, não era um jogo que foi simplesmente JOGADO FORA. Óbvio que seria melhor se fosse algo novo, sempre é melhor, mas reclamar e falar que foi fazer gente de bobo - nesse caso em específico, claro - aí é exagero.

  • Caio

    Acho q ja q vai sair de graça, é desnecessario cuspir na cara!!

    os caras so precisam olhar pro mercado e ver q a BLIZZARD q faz os melhores jogos do mercado, é a produtora mais lucrativa e poderosa do mundo dos games hoje em dia, pelo simples fato q prima pela QUALIDADE!!!

  • Alexandre Taú

    André, duas coisas:
    1 - Sim, cobraram 100 reais por cinco jogos. Mas não poderiam muito bem ter cobrado 80 sem os jogos antigos? Ou mesmo ter a opção de comprar os jogos separadamente logo de cara? Porque, OK, eu tenho Orange Box, adoro. Mas o Team Fortress 2, pra mim, sobra. Se eu tivesse pago preço de jogo full, não ia ficar muito satisfeito por terem me empurrado algo que eu não queria.

    2 - A Valve deu a opção de dar de presente a cópia extra do jogo - depois que todo mundo reclamou. E, francamente, consertar o erro deixando que o usuário dê o jogo de presente? Por que não dar outros jogos novos à escolha do usuário?

    Note que eu não reclamo do pacote. Reclamo de esse pacote ter sido a única maneira, no começo, de poder comprar esses jogos. Se lançam esses jogos simultaneamente em separado, eu ia ser o primeiro a aplaudir.

  • http://continue.com.br Suzana Bueno

    Reclamar de Katamari é besteira. Botaram o conteúdo no CD só pra não precisar baixar, pra ficar mais fácil pro jogador, e povo ainda reclama. Pelo menos eles já sabem que, da próxima, é só ficar quietinhos que ninguém vai perceber que, no lugar de passar 2 horas baixando, passou só 2 minutos instalando. Como se o DLC de qualquer outro jogo já não estivesse pronto antes do lançamento.

    Nada justifica a pirataria. Se acha os produtores sacanas, não consuma o produto. Se quer consumir, então entra na dança.

  • http://albertobarros.net Alberto Barros

    Lamentável esse parágrafo "Agora, se querem me fazer de palhaço, eu pirateio o jogo, recomendo pra todo mundo que pirateie, empresto a cópia e ainda cuspo na cara."

    Você tem todo direito como consumidor de reclamar do que esta sendo entregue, mas a partir do momento que você fala algo como isso perde totalmente a credibilidade. Se não concorda com o que esta sendo comercializado não compre, ninguém esta obrigando a você aceitar o que esta na prateleira.

    Se você quer justificar a sua pirataria leia esse texto a respeito: http://continue.com.br/30/04/2008/pirataria-um-texto-a-respeito

  • sergio cardoso

    Concordo com o Alexandre Taú.

  • Alexandre Taú

    Ultimamente, parece que eu escrevo mais nos comentários que nos textos principais. Oh well...

    Suzana: isso até tem lógica. Mas se você realmente acha que eles fizeram isso pela comodidade do consumidor, você é muito ingênua. Eles fizeram as fases para o jogo principal, mas depois acharam melhor bloquear para fazer o "otário" passar pelo caixa de novo.

    Além disso, vamos ser técnicos: a licença de uso que eu tenho daquele software menciona "o software contido no DVD". Ou seja, eles me outorgaram uma licença de uso... para algo que eu não posso usar completamente! Eu poderia processar aqueles japoneses...

    Alberto: na boa, eu gosto do Continue. Mas esse texto é uma merda. Um amontoado de argumentos repetidos e que não vêem um palmo adiante do nariz.

    Pra começar, já diz que "pirataria é quando você não paga pelo que você está jogando, ou pelo menos não paga para quem deve" (as palavras exatas podem não ser essas, mas a idéia básica é). Ou seja, se eu pego um jogo emprestado de um amigo, estou cometendo pirataria! Além disso, quem é a pessoa para quem eu "devo pagar"? O produtor do jogo? Se for assim, todo jogo usado é pirata...

    Depois, a idéia básica se resume a "a pirataria prejudica o produtor, que é bonzinho, não vai poder mais lançar nada, tenho de comprar meus CD's em caixas de papelão, mimimi" - e repete a velha ladainha de "eu quero ter um carrão mas não posso comprar, mas isso não significa que eu tenha direito de roubar um". Vamos deixar algumas coisas bem claras:

    1 - A pirataria não é crime (nem contravenção) se não há ânimo de lucro, como provei logo no início do texto. Não há crime sem lei que o tipifique.

    2 - Uma cópia pirata não é igual a uma cópia original não vendida. É o meu caso: se eu pirateio, é porque não tenho a menor intenção de comprar - porque não quero dar dinheiro para pulhas que acham que meu único direito como consumidor é escolher se vou pagar com Visa ou Mastercard.

    3 - A culpa pelos mercados de CD's e DVD's estarem indo pro buraco (o mercado de games no Brasil está ali faz tempo...) não é do consumidor mal-intencionado, das Tríades chinesas ou do efeito estufa. A culpa é DELES. Do pessoal que não soube dar ao público o que eles querem comprar. Do pessoal que vende produtos de merda por preços abusivos e acha que a gente tem de comprar e calar a boca.

    E também dos jornalistas, que, como vaquinhas de presépio, repetem os mesmos argumentos e não conseguem ouvir o que a maioria silenciosa tem a dizer.

  • Alexandre Taú

    Repetindo para deixar claro o que penso, com dois exemplos:
    1 - A própria Telltale Games. Pirateio e recomendo que se pirateie o Tales of Monkey Island para Wii. Mas chamo de FDP quem se mete a piratear Sam & Max Season One, Wallace & Gromit ou mesmo o próprio Tales of Monkey Island para PC, porque esses são jogos muito bem feitos e que demonstram a qualidade da Telltale no seu campo. Mas, pra Wii, eles merecem uma lição para aprender a fazer as coisas bem feitas.

    2 - Adoro o trabalho da Harmonix, acho a série Rock Band muito melhor do que Guitar Hero (a partir do 3). Mas baixei os Rock Band para Wii e acabo de baixar os DLC's de RB2 para instalar. Por quê?

    - Porque RB1 para Wii foi uma versão porca, comparando com os "irmãos" next-gen.
    - E porque RB2 para Wii, apesar de ser uma versão muito boa e digna, AINDA NÃO SAIU AQUI NA EUROPA! Já saiu até a versão PS2, mas a versão Wii não. E não existe nenhuma palavra oficial sobre a data final em nenhum lugar; a última vez que li algo dizia que "era provável" que saísse em outubro. Ou seja, depois de The Beatles: Rock Band!

    Com esse tipo de trabalho, francamente, não merecem meu dinheiro com as versões Wii. O que não significa que eu não vá comprar o mega-bundle de The Beatles: Rock Band para X360 na data do lançamento, ou que não vá comprar os outros RB para X360 posteriormente.

  • Daniel

    Algumas coisas não dá pra "justificar". Pode-se dar uma desculpa, um motivo para o erro. Mas não justificar. No caso nacional especificamente, o que pesa é a carga tributária abusivamente alta para determinados produtos; E o governo parece ser burro o bastante pra elevar ainda mais as coisas, visto o aumento previsto para as placas de vídeo, por exemplo. Jogos que custam $10, $20 ... chegam aqui a custar R$100! Ou mais!

    Eu pessoalmente sou contra a pirataria. Mas infelizmente a cometo.

  • Marcio

    Eu sabia disso, e esta na lei. Sou adepto da livre informação e entretenimento. Mas eu também compro jogos. Se gostar do jogo, vou ao shopping comprar o original pra jogar multiplayer. Em tempo, além do mais, a evolução da tecnologia do 1º mundo deu-se em parte baseada em 500 anos de pirataria de nossos bens naturais, e também prefiro que as pessoas desse país jogue um jogo inteligente, ou veja um filme por dia, em vez de ver as intrigas da novela.

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