Videogames é arte?

Isso já aconteceu antes, mas as pessoas costumam se repetir, ainda que seja para reafirmar-se. Roger Ebert, um dos maiores críticos de cinema dos EUA, afirmou novamente em seu blog que "os videogames nunca poderão ser arte". E claro, há muitos comentários sobre esse assunto em todos os lugares: "O último videogame que ele jogou foi Myst, como ele ficaria se alguém falasse que o cinema não é uma arte sem ter visto nenhum filme em vinte anos?"; "A definição de arte de Ebert é errada/caduca/qualquer coisa, EU considero os videogames como arte."

Os mais malandrinhos, como o cara do Kotaku, fizeram até alguma referência espertinha ao filme que Ebert escreveu em 1970, Beyond The Valley of Dolls. Se a gente fosse resumir as opiniões em uma frase, seria: "Quem esse @$&/#% pensa que é???" E aí eu vou me jogar na fogueira e falar: eu concordo com Ebert. Os videogames não são arte. Desculpem, deixem-me reescrever a frase: essa coisa que todo mundo chama hoje em dia de "videogame" não é arte.

Primeiro de tudo: qual o conceito de "arte"? Está nos olhos de quem vê? Algo que choca? Algo que faz pensar? Algo que faz uma pessoa se sentir bem? Pode ser qualquer uma dessas coisas - e não me importa. Porque quando eu falo nessa frase aí de cima em "arte", o que estou querendo dizer é o que chamam em inglês de "great art", um dos tipos de artes definidos classicamente ou na era moderna.

De acordo com Hegel, as artes clássicas são arquitetura, escultura, pintura, música e poesia (incluindo aqui a literatura). Ricciotto Canudo, em seu manifesto "O Nascimento da Sexta Arte", reivindicou o sexto posto para o cinema, que seria uma conciliação entre os "ritmos do espaço" (as artes plásticas: arquitetura, escultura e pintura) e os "ritmos do tempo" (música e poesia). Mais tarde fez uma pequena correção, acrescentando a dança aos seus "ritmos do tempo", declarando o cinema a sétima arte, classificação essa que perdura até hoje.

O que podemos notar? Cada uma dessas artes tem algo completamente diferente das demais - com duas exceções, que têm por objetivo principal contar uma história: a poesia/literatura e o cinema. Notem que o teatro não é considerado uma arte independente da literatura, porque na prática uma obra de teatro é uma interpretação de uma obra literária por atores. O cinema escapa dessa mesma definição, porque não é uma simples interpretação. Como bem disse Canudo, é uma "conciliação", em que se usam todos os demais tipos de arte para gerar algo completamente diferente.

Voltemos aos videogames. Quando alguém elogia um jogo hoje em dia, quais são os critérios? Cada um tem um, então vamos usar para nossa comparação os critérios de avaliação da IGN: apresentação, gráficos, som, jogabilidade e "lasting appeal" (se o jogo o fará jogar por muito tempo ou não). Todos os meios de comunicação avaliam jogos mais ou menos da mesma forma, e os criadores levam tudo isso em conta na hora de criar.

E isso é exatamente a mostra de como os videogames não são arte. Um filme não é mal avaliado por ter a imagem granulada ou o som entrecortado de propósito, assim como um disco de um grupo de rock não é chutado pela crítica porque o grupo optou por mixar a guitarra e a voz muito mais alto do que o resto dos instrumentos. Ninguém se atreveria a dar uma nota baixa para um livro dizendo "a história é legal, mas eu não teria vontade de pegá-lo da estante para ler de novo". No entanto, quando alguém perde tempo avaliando gráficos, som e jogabilidade de um jogo, é exatamente isso que está fazendo. Uma obra de arte não é ruim por ser plasticamente feia, ou por ser tão chata que é insuportável à segunda vista. Mas um videogame acaba sendo classificado como ruim se isso acontece.

A apresentação é um caso a parte. Com isso, a IGN está avaliando basicamente a história. Como a gente viu bem alguns parágrafos acima, todas as artes têm objetivos diferentes, com exceção do cinema, que é uma mescla das demais artes e gera algo diferente de tudo mais. Mas, hoje em dia, se um jogo tem uma "narrativa cinematográfica", ele já é endeusado por nerds (e críticos nerds) que vêem nisso uma segunda vinda de Cristo e a "prova definitiva" de que os videogames são arte. Não, amiguinhos, não. Como já disse uma porrada de vezes, um livro "escolha-sua-aventura" não é um jogo, continua sendo um livro. Da mesma forma, um videogame "cinematográfico" não é um videogame, é um filme interativo. É cinema. E tem que ser julgado como se fosse um filme - e em 100% das vezes esses jogos são filmes bizarramente ruins. Sim, afirmo com todas as letras: 100% das vezes. Não escapa um.

O critério que poderia ser a diferença é exatamente o que deixamos por último. A jogabilidade é a interatividade. Como lembrou muita gente naquelas respostas espertinhas pro Ebert, não podemos avaliar uma escultura pela história que ela conta, então não podemos avaliar um videogame pela história que ele conta, e sim pela maneira inovadora que essa história está sendo contada. Aí os independentes têm toda a vantagem. Braid, Passage, Today I Die, todos contam histórias e poesias de maneira interativa e criam figuras de linguagem visuais que mostram de verdade o que o meio pode chegar a ser como verdadeira arte (e é o ponto onde Ebert demonstra que ele tem a mente fechada e não é a pessoa mais indicada pra falar do assunto em pauta, mas estou divagando...).

Mas claro, isso é a minoria. E aí o meio como um todo acaba indo pelo mesmo caminho. Uma minoria não é suficiente para dar aos videogames o status de "arte". O mainstream deve ser capaz de criar obras de arte também. Existem best-sellers, filmes de grande orçamento, discos de músicos "super-vendas" que são obras de arte de pleno direito. Mas os jogos mainstream ainda não passam do estágio de filme da "Sessão da Tarde" (os ruins, não os clássicos).

  • Bruno

    bem... os Games num são arte.. eles são um conjunto de arte.....

    uma vez que encontramos, imagens (arte), Musica (arte), video (arte), e muitas outras coisas...

    é ou num é?

  • Everton

    O teatro é sim uma forma de arte, uma vez que ele é muito mais antigo do que cinema, e tem sim musica, poesia pintura e arquitetura, o cinema é uma forma mais sofisticada de fazer teatro.
    Seu criar um personagem na minha mente e resolver retratá-lo como uma escultura no coração de NY, todo mundo vai chamá-lo de arte, mas se eu retratá-lo em um jogo por que que ele não é de arte?
    Arte é um conjunto de regras para fazer alguma coisa com perfeição, não importa se é um jogo, livro ou filme. O conceito de arte ultimamente é puramente senso comum, e só ver a quantidade de lixo que sai toda a semana no cinema.
    O avatar foi considerado uma obra de arte por muitos mas, é meramente um visual inovador, fora isso não tem mais nada. Nesse ponto Okami também tinha um visual muito inovador e mostra que video games tb é arte.
    O cinema é meramente um monte de efeitos especiais para disfarçar a falta de conteúdo.
    Jogos cinematográficos são bons sim temos varios, Metal Gear, Assassin's Creed e pura ai vai.

  • http://www.gamerview.com.br Heitor De Paola

    Taú, acho que essa é a provavelmente a primeira vez que concordamos (apesar de eu não me irritar pelo fato de outras pessoas considerarem games como arte).

    Ao menos atualmente, não há praticamente nada que valide ou que sequer mostre que os jogos estejam caminhando para se tornar arte. Creio que eles se encaixam perfeitamente no que alguns chamam de estetização, meio no qual também podemos colocar moda, design entre outros. Isso pode vir a mudar algum dia? Com esperanças, quem sabe tolas, digo que sim. Mas, mais importante do que qualquer coisa, isso sequer importa? Ebert trouxe à tona uma discussão que, pessoalmente, acho que já foi saturada e não contribui mais para o meio.

    O mais engraçado é o furor que ele causou em tantos jogadores, tudo por causa de um texto mal escrito, mal embasado e mal articulado. Aliás, como o próprio crítico diz em seu texto, "por que os jogadores estão tão intensamente preocupados que jogos sejam definidos como arte?", e nisso ele tem razão. Existe alguém que se sente mal ao jogar alguma coisa - ou ao escrever sobre um jogo - só porque aquilo não é considerado pela maioria como arte? E que grande benefício isso traria? Cinema é, para a maioria, considerado como tal, e vejam o nível das grandes produções que receberam estatuetas na última entrega do Oscar (tudo bem, considerar que a premiação só trata dos melhores e mais artísticos filmes é falacioso, mas creio que seja possível entender o exemplo).

    Acho que também é interessante apontar o argumento feito pelo Penny-Arcade. Ebert só está fazendo o que toda geração mais velha faz com as mais novas, nada de novo nem digno de nota. E, ei, quem sabe em vinte anos, depois que ele já estiver em sua cova, percebamos que ele estava errado. Quem sabe não.

    Agora, Taú, acho que o ponto mais interessante, e que quem sabe mereça uma discussão à parte, é em relação à crítica feita a jogos atualmente. Independentemente de serem conceituados como arte ou não, eles certamente já possuem uma articulação e complexidades suficientes para receberem um tipo de comentário diferente (em especial aos modelos como o da IGN) - algo que Michael Abbott coloca como verdadeira crítica e não simples "review". Creio que dois bons exemplos disso podem ser vistos aqui: http://www.gameblog.com.br/analise-final-fantasy-xiii/ e aqui: http://simonferrari.com/2010/03/31/hills-and-lines-final-fantasy-xiii/ .

    Enfim, espero só que isso tudo seja logo esquecido; que jogadores voltem simplesmente a jogar e que Ebert volte a falar apenas de filmes. Acho que seria melhor para todos.

  • Dani Guerrato

    Eu acho que cada caso deve ser analisado separadamente. Música e uma das artes clássicas... mas você chamaria rebolation ou bonde do tigrão de arte? Eu não ousaria tanto!
    O meu conceito pessoal de arte é uma obra abstrata que expressa materialmente o que esta no mundo ideal. Na minha humilde opnião arte é a capacidade de encantar, de criar cartase, de fazer você sentir o que o outro sente... e isto está muito além de takes cinematográficos! Se um jogo de video-game é capaz de expressar emoções complexas e universais como amor, odio, medo, sonhos, etc. e criar empatia então merece sim o status de obra de arte. É só pensar em jogos como Final Fantasy VII... graficos poligonais, nem ao menos existia a dublagem dos personagens... e, no entanto, tras uma história complexa podendo ser relacionada com a jornada do herói de Campbell ou com conceitos de psicologia junguiana como sombra, animus, anima... Você pode dizer o mesmo sobre o Bonde do Tigrão? Eu acho que não! =)

  • Kratos

    Se Metal gear e Shadow of the Collossus não são arte, então eu não sei o que é. O problema é o que o Christophe Gans, diretor do filme Silent Hill, disse: no século em que se inventou o cinema, este era ridicularizado ao passo que o teatro era exaltado. Hoje o cinema é vangloriado e o video-game ainda é visto como infantilóide e enburrecedor.

  • Edu

    É, eu tb concordo que videogame NÃO é arte.
    A arte está naquilo que forma um videogame: sua trilha sonora, design, concept arts, etc. Mas um jogo, por si só, ainda não pode ser considerado como arte.

  • Mario (ou Cheetara)

    o pessoal dos comentarios não leram o artigo? Porque estão atirando num alvo que o Tau aparentemente já matou, falando achismo que em nada levam em consideração o artigo.

    E saber se é videogame é "great art" ou não é irrelevante pra mim, já que não sou critico de arte nem pretendo usar de Aristóteles, Hegel ou Italo Calvino para me divertir com mario Party (bebado com meus amigos, é claro)

  • Tárcio Fonseca

    "Um filme não é mal avaliado por ter a imagem granulada ou o som entrecortado de propósito"

    Quando esses elementos tem um propósito para o produto final. Vai usar isso daí desnecessariamente ou de forma ruim pra ver se não terá gente falando mal. E Silent Hill (games, não filme) usa imagem granulada e todo mundo sabe que aquilo é um elemento bem pensado pra criar o clima.

    "assim como um disco de um grupo de rock não é chutado pela crítica porque o grupo optou por mixar a guitarra e a voz muito mais alto do que o resto dos instrumentos"

    Novamente, isso depende. Metallica gravou o St. Anger com um timbre de bateria escolhido a dedo e mesmo assim todo mundo caiu em cima falando mal porque o som ficou parecendo um monte de lata velha batendo uma na outra.

    Sério, Taú, você tá generalizando muita coisa nestes teus últimos textos. Teus argumentos tão pegando uns caminhos meio tortos e tão soando forçados.

  • http://www.futurongame.com.br Ebbios

    Muito interessante o texto, Taú. Você realmente deu a cara a tapa. Textos assim são realmente interessantes pois são os que mais suscitam debates. Embora eu aplauda seu artigo pela proposta que ele lança à mesa, não concordo muito com seus argumentos.

    Tenho apreço enorme pela arte (não a "great art" do inglês, ou não apenas ela. A "artinha" também, seja lá quão pequena ela for). Em meu conceito a arte é um dos principais fios condutores de minha vida. Mas não estou aqui pra falar de minha biografia, a discussão é sobre games.

    Quando falo em game e sua posição no hall da fama artístico me recordo daquele que considero seu irmão mais velho nesse sentido: os Quadrinhos.
    Sim! Essa "coisa de criança", tão para criança quanto os games. Assim como os games, os quadrinhos sofrem um excessivo preconceito, pois, como acontece com toda mídia nova (e até mesmo o teatro foi novo um dia), suas características levam um tempo para serem compreendidas. Tanto por quem as cria, quanto por aqueles que a consomem. Sobre isso, seria interessante ler a obra "desvendando os quadrinhos" do Scott McCloud. Ele cita, por exemplo, que no início da televisão as novelas eram a imagem estática de um rádio onde a narração saia como se o espectador estivesse ainda a ouvir radio. Isso, é claro, era um mal uso de um mídia que ainda não apresentavam seu real potencial. Assim como se pegares um filme antigo, do inicio do cinema, verá que eram nada menos que uma peça de teatro encenada na frente duma câmera. (e ver teatro filmado nem é teatro, nem tão pouco apresenta metade dos recursos narrativos que o cinema pode oferecer) Isso não significa que se deva desconsiderar tais filmes, pois eles são parte do período de exploração. Sem a exploração de um meio, nunca se saberá a que caminhos ele pode nos levar.

    É próprio do homem, para que ele compreenda algo, que se utilize de comparações. É difícil para nós compreendermos a coisa pela própria coisa que ela é. Quando se pergunta "O que é um tigre?" esperasse uma resposta do tipo: Tigre é como se fosse a mistura de gato com leão. Isso não é uma característica ruim, mas certas vezes isto nos limita. Como nesse caso. Tu colocou o video-jogo ao lado das ditas "great art", em especial o cinema, e tentou avalia-lo de igual modo. Ele, que não é a mesma coisa. Tu criticou a forma com que a imprensa faz a análise de um jogo, usando isso como argumento que faz com que os jogos não sejam levados ao status de grande arte. Mas foi sinceramente um argumento raso. É óbvio que um jogo não pode ser analisado como um livro, ou um filme, porque a proposta de cada coisa é diferente. Há sim uma inversão de valores. Há algo de podre no reino da dinamarca. Mas não acredito que o modo como a tal arte é analisada, por opiniões que podem ser muito divergentes, definam se ela é ou não uma arte. O que define isso é seu potencial como mídia. Uma coisa nova, por tanto mal compreendida, pode não ser vista da forma que merece.

    Tu diz que para ser considerado "great art" o mercado meanstream dos jogos precisa fazer o que os os alternativos já fazem. (acho que tu errou quando disse: "Braid, Passage, Today I Die, todos contam histórias e poesias de maneira interativa e criam figuras de linguagem visuais que mostram de verdade o que o meio pode chegar a ser como verdadeira arte " Pois estes jogos -- ao menos o Braid, que dos citados foi o único que joguei -- já mostram o que o video-game é, não o que pode vir a ser. Eles já são.) Bom... se tu disse isso, é porque você já vê o potencial que os games possuem. Se nota que você aceita os jogos entre os "grandes", sua crítica real é ao fato dos grandes da indústria não se arriscarem a elevar o nível de suas obras. Mas note que um produtor independente não sofre a pressão do mercado, que é um monstro maior do que qualquer inimigo do kratos. UM erro e se perde milhões. Ora! O próprio cinema que você usa de referência é um exemplo disso. As realmente profundas obras cinematográficas raramente surgem do meanstream. Para ser profundo se exige profundidade também. (explicar o que é um tigre é simples, mas e se o que você quer explicar for difícil? vai comparar com o que?) Por isso a indústria cinematográfica foca no cinema como entretenimento pura e simplesmente, que é onde se consegue público, enquanto se vê mestres como Lars Von Trier realizando obras maravilhosas com pouco orçamento. Hollywood vende a ideia de que cinematográfico é ter explosões perfeitas, em audio 5.1, efeitos arrebatadores e bla bla bla. Isso já está embutido na mente do consumidor do cinema-entretenimento, quem busca o cinema-arte sabe que ele não é só isso. Mas essa é uma idéia que já foi inclusa no consciente da maioria. Portanto, fica muito mais fácil vender Modern Warfare 2 colocando na capinha que ele é cinematográfico. Os jogos não devem pretender ser cinematográficos (nesse sentido torto que se dá a palavra), mas enquanto isso vender, não espere outra coisa.

    Uma grande-arte é nada mais que uma ferramenta cujo o potencial de uso possui proporções grandiosas para a criação de uma obra. Se você vê um filme ruim provavelmente não sairá por aí dizendo que o cinema não é arte, pois com certeza você já viu um filme que lhe mostrou do que o cinema é capaz. Sabe que o problema naquele caso era o cineasta não o cinema. Do mesmo modo que ouvir uma música de má qualidade no lhe faz achar que a música não é great-art. Então, se tu vê uma leva de jogos que não chegam ao que se espera de uma grande obra, o que deve pensar então?

    Tenho certeza, e sei que você também tem, que o potencial de criação dos videos-jogos é muito vasto e de uma maneira unica inclusive. Isso pra mim já basta para coloca-lo entre os grandes.

  • http://www.futurongame.com.br ebbios

    é... acho que escrevi outro artigo! rsrsrs

  • Guilherme Bova

    Eu meio que concordo com o Ebbios (sim eu li todo seu comment!). E queria acrescentar q toda arte pode ter fatores tecnicos criticados. Tenho certeZa q a tecnica de action painting de Polock foi e ainda deve de ser esculaxada por muitos. Cinema a mesma coisa. A fotografia de um filme pode sim ser mal executada e o fator "arte" nao justifica falhas ou falta de acabamento. Eu tb nao sei ateh que ponto essa historia de querer dar status de arte para os videogames eh de fato relevante. Se enfim os videogames tiverem a bencao doa teoricos do mundo e forem reconhecidos como "huge and marvelous art" o q vai de fato mudar?

  • Marcos A.S. Almeida

    Amigão , vamos ser sinceros, você pegou pesado e "viajou" longe só pra legitimar a sua opinião. Então eu vou opinar de forma bem resumida: filme pornô é arte?Não! O Senhor dos Anéis é arte? Sim! Super Mario bros é arte?Não! Shadow of Colossus é arte?Sim! Entendeu?O que é bom,bem feito,com visual e músicas excepcionais é arte e o que é o contrário, ruim, mal-feito, sem visual e música pobre não é arte. Não podemos generalizar.E dizer que um jogo não pode NUNCA ser uma obra de arte é no mínimo preconceito. E em última análise, se um filme premiadíssimo como o Senhor dos Anéis - O retorno do Rei é considerado uma obra de arte se valendo dos efeitos visuais gráficos, porque um jogo atingindo o mesmo nível de efeitos visuais não pode ser considerado também? Repito: PRECONCEITO.

  • Lart

    “e sim pela maneira inovadora que essa história está sendo contada (...), Aí os independentes têm toda a vantagem. Braid, Passage, Today I Die, todos contam histórias e poesias de maneira interativa e criam figuras de linguagem visuais que mostram de verdade o que o meio pode chegar a ser como verdadeira arte.”

    Como você bem disse videogames não são sobre contar histórias, mas sobre jogar. Partindo desse princípio eu ainda não vejo seus exemplos como arte, nem mesmo um caminho para ela. Reveja o conceito “inovador” de Braid. Reveja o conceito da palavra jogo. Se xadrez não é arte, por que Today I Die haveria de ser?

  • http://twitter.com/leandroramos Leandro Ramos

    Opa, gerou uma polêmica interessante aqui. Não sou crítico, e muito menos especialista em artes ou em games.

    Pode-se resumir todo esse texto e seus respectivos comentários numa pergunta: O que é arte pra você, meu amigo?

    É entretenimento? É crítica? Cada um tem sua concepção de arte, conceitualmente arte significa: toda forma de manifestação estética, promovendo alguma emoção e ideia, estimulando a consciência.

    Se um quadro monocolorido( branco ou verde ) é capaz de promover alguma consciência a alguém é considerado arte; por quê um jogo que propõe mostrar um novo mundo a quem o joga não seria.

    Polêmicas é o que muitos digitarão, mas é uma hipocrisia esconder o poder crítico que está por trás dos games.

  • Fabio soares

    Bom galera o lado bom disso tudo é que todos tem razão e não tem ao mesmo tempo.
    A final de contas a arte esta nos olho de que o vê.
    Pow eu nunca vi um filme que me emergi-se tanto quanto quando joguei Max Payne, super tenso. Dae podem falar nossa que conceito pobre e simples mas é isso mesmo fazer o que se aquilo desperto em mim tal sentimento.
    Existem muitos games que tem por traz uma arte incrível dignas de serem emolduradas e expostas em um museu, e aquilo nem se quer tem valor nenhum comercial, é apenas parte de um processo de criação dos games.
    Deus do céu! Alguém falar que Mario não é arte chega ser uma afronta hehehe, mas para mim ué para o cara num é fazer o que...
    O problema esta mais na importância que se da a opiniões de certas pessoas que são apenas pessoas, mas tem um status de semideuses.
    Ou seja a opinião de um cara é tão importante quanto o que se gastou em mídia para promover o seu nome e seus produtos.
    Assim como um game ou filme se torna tão importante quanto o que se gasta para produzi-lo e divulga-lo e quanto ele arrecada.
    Será que devemos cultuar Amado Batista por que ele vende barbaridades de cds e desprezar Lenine que não vende nem uma fração do que Amado Batista vendeu?
    Porra, Machinarium (game) é arte de primeira!...Quem tem coragem de falar o contrario pelo amor de Deus?heheh
    Counter Strike não pode ser comparado com ele enquanto arte, são coisas diferentissimas.
    produto é produto e arte é arte.
    Primeira arte, segunda arte, sétima, oitava, nona, isso tudo sim é balela ultrapassada tentar classificar algo é muito anti-artístico para tudo.
    porra se perde mais tempo classificando e tentando rotular do que apreciando as coisas hoje em dia.
    Tipo sera que é jaz ou folk ou blues ou emo core ou hard core, sera que é barroco , modernismo ou sei la o que?
    O cara come tinta e escarra numa tela e é arte. o outro reproduz um titã da mitologia grega com um bilhão de polígonos um monte de textura e é produto?
    Bom é isso, sempre vai ter quem goste de funk carioca e jogue CS!
    Arte é belo emocionante e na minha opinião complexo!

  • Alexandre Taú

    Finalmente consegui tempo para ler os comentários.

    Uma coisa que parece que muita gente não entendeu no que eu escrevi: não estou discutindo o fato de que um videogame em especial possa ser uma obra de arte - eu mesmo dei três exemplos no texto. O que estou discutindo é se podemos considerar que os videogames já estão no mesmo status do cinema, por exemplo, e serem considerados uma forma de arte. IMHO, não.

    @Heitor: finalmente concordamos em algo! :-) Mas não no ponto em que você concorda com o Ebert. Não acho que a "luta" para considerar que os videogames sejam arte seja simplesmente uma tentativa de conseguir algum tipo de aprovação. É simplesmente uma tentativa de, digamos, "ocupar" um espaço sobre o qual o meio acha que tem direito. Eu acho que ainda não tem, mas não acho errado que eles tentem se afirmar e ocupar este espaço se acham justo.

    @Dani Guerrato: existe um problema nesse seu raciocínio. Está errado considerar que qualquer música é uma obra de arte simplesmente porque a música é uma arte. O inverso também é verdadeiro: só porque um videogame em concreto é uma obra de arte, isso não significa que os videogames sejam arte.

    @Tárcio Fonseca: você não entendeu a minha observação. Silent Hill pode usar imagem granulada, certo. Mas vai ver como um jogo, digamos, de PS3 que tenha gráficos de PS2 não vai levar cacetada de todos os lados...

    @Ebbios: gostei de você ter colocado os quadrinhos na discussão. Também acho que, em muitos pontos (até históricos), os quadrinhos têm muito em comum com os videogames. E sim, eu li os livros do McCloud. Tenho os três. :-)

    Gostei da observação, mas não concordo. As "grandes obras" cinematográficas não necessariamente saem de fora do mainstream. Estão aí para provar a Pixar, os Studios Ghibli, Francis Ford Coppola, Scorcese, Spielberg... Mesmo os cineastas europeus, como o Almodóvar, o Von Trier e outros, não podem ser considerados, digamos, "off-Broadway", porque eles recebem dinheiro de grandes conglomerados de comunicação para fazer suas obras (como o Canal+ francês).

    Além disso, mesmo o cinemão-pipoca pode ter qualidade. Outra vez, trazemos o exemplo do Coppola. O Chefão não era um filme "de arte", era uma versão para o cinema de um best-seller, o objetivo do filme era lucrar antes de qualquer coisa. Tem como negar que seja um dos melhores filmes da história?

    @Marcos A.S. Almeida: se formos considerar os videogames como arte, Super Mario Bros. deverá ser uma das primeiras obras de arte do meio. Shadow of The Colossus pode ser arte sim, mas isso não faz com que apenas os jogos dessa estirpe sejam. Super Mario foi um jogo que definiu um estilo único de jogo, as plataformas, e isso deve ser levado em conta.

    @Lart: você caiu EXATAMENTE no mesmo erro do Ebert, quando ele criticou Braid - ter a mente fechada. "Um jogo deve NECESSARIAMENTE seguir o esquema de 'devo tomar as ações corretas para vencer'". Não, um videogame pode ser uma maneira interativa de se contar uma história.

    Em poucas palavras: a jogabilidade "rewind" de Braid é uma metáfora do desejo do narrador de refazer sua vida, de voltar ao passado. Leia com atenção os textos do jogo.

    E Today I Die é menos "jogo" e mais "poesia interativa". Ele entra na categoria "videogame" mais por uma convenção.

    @Fabio Soares: o problema é que eu não vejo algo como sendo uma "grande arte" enquanto o produto não puder ser considerado arte. Talvez todas as grandes obras de arte tenham sido feitas com o objetivo primordial de... ganhar dinheiro. Van Gogh pintava porque precisava comer, não porque queria mostrar sua visão de mundo.

  • Lart

    Mas até que parte Taú o jogo ser este tipo de história/filme interativo não perverte o fato dele ser videogame? Quando toquei no ponto da inovação em Braid além de estar inclusa a questão metafórica, que sim, já deve ter sido abordada de maneira parecida em livros e filmes, questionava sua inovação mecânica enquanto jogo.

    Você em certo ponto da dissertação criticou os nerds da narrativa cinematográfica, disse também que os produtos consumidos por eles nem sejam videogames, eu te parabenizo pela sensatez. Porém, resguardar a garotada indie gamer é contraditório. O Today I Die é o caminho a ser trilhado pelos hardcore-art-gamers.

    Reitero: Se não existe regras e vencedores, jogo não é. E se existe interatividade não é arte, segundo Ebert. E essa é o única inovação que os videogames apresentam em vista as outras. Claro que se algum dia desses os videogames forem de verdade relevantes "artisticamente" eu admitiria sem hard fellings, o problema é que está pra nascer o Mozart dos joysticks.

  • Tárcio Fonseca

    @Taú: Mega Man 9 e 10 tem gráficos e som de NES nos consoles de última geração. Half-Minute Hero do PSP também. E nenhum deles recebeu notas baixas nos quesitos técnicos por conta disso. Avaliaram de acordo com o objetivo que o game quis atingir. E isso é uma prova que os videogames estão migrando pra algo próximo a arte. Começamos a avaliar o que o criador quis realizar dentro de um contexto no lugar de simplesmente darmos uma nota qualquer para o que estamos vendo ou ouvindo. E isso é coisa de crítico de arte.

  • http://www.facebook.com/people/Lucilio-Bodmala/1158713465 Lucilio Bodmala

    acho q estou meio atrasado na discussão mas vou dizer o que acho assim mesmo.
    não podemos analisar o que é ou não arte tomando como referencial o modo como o objeto é avaliado, se existe um paralelo entre cinema e games, o jogo deveria ser avaliado por críticos de cinema, só que se isso ocorresse os gamers iam ficar sem ter noção das coisas que são importantes quando se é gamer. a avaliação é feita para quem joga. diferente do cinema que o telespectador é passivo as suas preocupações são outras. isso ocorre porque a plataforma é diferente.
    acho q no mundo da arte os jogos de video game transitam entre o cinema e as instalações de artes plásticas, onde há interatividade com o publico. acho sim que o video game pode chegar a ser a oitava arte se ele sobreviver ao tempo. jogos como killer 7 ou shadows of the colossus mostram que o video game pode te levar onde o cinema não chega. um passo além.
    agora, amigo se vc realmente acha q 100% do roteiro dos games são ruins vc  esta sendo tendencioso ou jogou pouco.
    abs

  • Brunno Loss

    Como meu prof. de arte diria "Existe arte boa e arte ruim, mas tudo no mundo é arte. A arte boa é aquilo que chamamos de 'arte' enquanto a ruim é o resto"

    Ou seja, existem jogos e jogos, aqueles que são arte e o resto :)

  • Brunn Loss

    Quando falo prof. de arte não é do ensino fundamental nem do médio, mas do nivel superior

  • AS ÚLTIMAS

    1. gamerspeak_100
      GamerSpeak #100
      08/02/2012
    2. gamerspeak_99
      GamerSpeak #99
      08/02/2012
    3. gamerspeak_98
      GamerSpeak #98
      02/02/2012
  • Follow

    TWITTER