Sempre que penso em Street Fighter eu lembro da época em que era moleque e gastava minha mesada em fichas de fliperama. Ah, como era bom aquela época! Eu era tão pequeno que meus pais me proibiam de ir nos botecos e salões de jogos. Mas eu sempre dava um jeito de freqüentar estes lugares, mesmo repleto de marmanjos mal encarados. Várias vezes corri perigo de vida ao ganhar do adversário numa partida contra. Principalmente quando eu pegava o Ryu e apelava no hadouken. Quem nunca fez isso? Cada ficha valia ouro e eu tinha acabado de aprender o famoso “meia-lua e soco”. E também falava tudo errado como “radugui”, “shoriugui”, “alex-fu”, “tyger robocop” e “ataque-das-corujas” (aquela girada de perna do Ryu e Ken).
Street Fighter II foi um marco na história dos games de luta. Todos que jogavam, viciavam em poucos minutos. E não demorou para se transformar em referência à outros games de luta que estavam por vir como Fatal Fury, Art of Fighting, Samurai Shodow, Darkstalkers, entre outros. Depois de longos anos de espera, Street Fighter IV finalmente saiu. E saiu do jeitinho que a maioria esperava: bonitão, mas mantendo a fórmula de sucesso da franquia. E não pára por aí: o game traz muitas novidades, personagens novos, modo online e muito mais.
Street Fighter IV é visualmente deslumbrante. Os produtores criaram um novo estilo, 3D com aparência de 2D (“2.5D”, na cabeça da Capcom), com manchas e efeitos de tinta. Tanto a abertura do jogo como as próprias lutas são bonitas de se assistir. Falando na abertura, há uma música tema estilo Boy Band que não combina em nada com o game, mas dá pra ignorar. No total, o jogo apresenta 25 lutadores: os velhos conhecidos Ryu, Ken, Chun-Li, Blanka… e os novos El Fuerte, Rufus, Crimson Viper, Abel, Gouken e o chefão final Seth. Inicialmente, são apenas 16 personagens, sendo que os demais você desabilita conforme vai jogando e dando final.
Ao escolher um personagem, você assiste uma animação de abertura no estilo anime. É notável que seja parte do material produzido em função do longa-metragem (Street Fighter: The Ties That Bind), que vem incluso na edição de colecionador do game. Essas animações são feias pra caramba e não combinam em nada com o visual do Street Fighter IV. O desenho não chega aos pés da série japonesa Street Fighter 2 Victory. Se o objetivo era fazer cenas de anime pro game, que fizessem algo mais caprichado. Pra completar a bronca, as histórias não tem pé nem cabeça. Tanto a abertura como o desfecho são completamente descartáveis. Se a idéia era economizar tempo de produção, ao menos fizessem estas animações com os próprios modelos in-game, assim como são as cutscenes de encontro entre arqui-inimigos (Ryu vs Sagat, por exemplo). No final você enfrenta Seth, um vilão nada original e azul, que copia movimentos de outros lutadores, como Dhalsin e Guile.
Street Fighter IV definitivamente não é para novatos. O game exige tempo e treino para dominar os combos com especiais e macetes de contra-ataque. Pra isso o jogo oferece os modos Training e Challenge Mode, sendo que este segundo inclui Time Attack, Survival e o Trial Mode. No Time Attack você luta contra o relógio, vencendo um determinado número de lutas de 1 round. No Survival, o objetivo é não perder uma luta sequer. Já o Trial serve como um treino avançado para dominar o game por completo. O problema é que neste modo não há um vídeo exibindo o golpe antes de você mesmo fazer. E nem sempre o comando que aparece na tela é claro o suficiente para você entender, ainda mais abreviado e em inglês.



















Belo review, capturou bem a essência do jogo. Mas tive uma experiência online bem ruim, pois os requests online para as conexões de boa qualidade foram sempre negadas ou não encontradas pelo sistema de filtro do jogo, me obrigando a jogar com um lag terrível. Mas gostei demais do jogo, principalmete jogando sozinho ou com amigos (em casa).