Olá caro leitor e bem vindo à primeira edição da minha coluna aqui no Gamerview, Gamer Inconveniente. O tema de hoje é você. Sim, você, o consumidor do jornalismo de games.
Muito se ouve falar hoje sobre a necessidade dos games de serem levados a sério e isso acabou gerando, nos últimos anos, um certo discurso enlatado que se repete muito nos blogs e revistas por aí de que nós, a imprensa que cobre o mundo dos games, deve amadurecer. Infelizmente a maior parte das pessoas que fala disso só repete o que já foi dito e não tem nem vontade de analisar como faz o próprio trabalho. Não tem nem vontade de mudar o jeitinho com que escreve seus reviews, previews, notícias, detonados, etc.
Este é um problema muito grande em todo mundo, grande parte da “velha guarda” não tem vontade de mudar (muitos nem saberiam como) suas publicações. Outros dizem não entender porque pessoas tem problemas com notas nos reviews. Tem gente que defende a “castração” dos textos, tirando a opinião, o nome do coitado que escreveu e até aqueles que “só” censuram aquilo que acham que pode deixar um ou outro leitor meio irritado.
Não vou falar agora de como acho que o jornalismo de games tem de mudar, pelo menos não hoje, hoje vou falar de como essa situação é sustentada por grande parte dos leitores.
Como Ryan Scott escreveu em seu blog, o Geekbox, é difícil acreditar que o público realmente queira uma cobertura mais rica da indústria dos videogames.
Quando eu penso nas vendas de revistas de games aqui no Brasil, é foda não desistir de fazer algo diferente do que as revistas mais vendidas fazem. Não porque elas geram dinheiro simplesmente, mas porque o número de pessoas que parece se contentar e até se satisfazer com o conteúdo medíocre que assola muitas delas. Não estou criticando os profissionais por trás das mesmas, muitos são bons pra caralho e muito inteligentes, mas eles têm de vender revistas, este é o trabalho deles e eles aparentemente sabem que o público não está insatisfeito com o que lhes é dado todo mês.
Não me venham com o papinho de que você compra revistas atuais, mas gostaria de ver um conteúdo mais bem trabalhado, mais intelectual, etc. Mesmo se você não estiver mentindo para mim e para si mesmo, você é uma minoria. Não só você gosta de games o suficiente para ler sobre eles na internet, você lê sobre o jornalismo de games E AINDA COMENTA!
E não digo isso com desrespeito ao público hardcore a quem prefiro me dirigir, até mesmo porque sei que quando o “cidadão brasileiro médio” se depara com algum conteúdo de games, me deparo com comentários deste tipo e deste também. [O segundo link não os leva para um post sobre games, mas só ilustra a qualidade do feedback que o jornalista/crítico tem.]
Mas ta aí, o Sr. Scott comenta o desgosto dos “NeoGAFianos” pelo texto (muito bom por sinal) do Sr. Croal e diz que tudo não passa de um bando de gente que quer parecer inteligente e interessada ao pedir um conteúdo menos juvenil, mas que quando se depara com tal conteúdo se sente ignorante diante o mesmo e logo o ataca. Eu concordo. Acredito que seja o caso com a maioria dos leitores.
Então antes de eu falar o que PRECISA mudar no jornalismo de games, preciso pensar em quem vai ler o que eu escrevo. Não para ser cuidadoso, mas pra pensar no quanto é possível escrever para você (ó, iluminados gamers que sabem entender o que lêem) e ainda assim ganhar dinheiro. Seria esta minoria um público interessante o suficiente para anunciantes e parceiros que são necessários para se sustentar um blog/site? Ou está a maioria certa e o inteligente é aquele que só captura telinha, ensina a passar de fase e dá 7/10 para um jogo que ele mesmo diz estar “abaixo da média”?
Eu não sei. Você não deve saber. Se souber, ilumine minha mente com seu conhecimento. Até semana que vem, quando falarei o que penso do leitor que acha que não o é: o blogueiro.
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Gus Lanzetta é jornalista de games e desde 2006 escreve para diversas publicações do mercado. Atualmente você pode lê-lo aqui no Gamerview, na Rolling Stone Brasil e no seu blog pessoal. Ele também gosta de contar piadas infames no Podcast de Games MTV, o qual produz e apresenta ao lado de Flávia Gasi.











Esse negócio de dinheiro é o que limita, o que castra a indústria de uma maneira geral.
Se for se preocupar com o que vai atrair público e, consequentemente, anunciantes e renda, é melhor não pensar em qualidade, inovação, provocação (no bom sentido), vanguarda, etc. Porque existe uma diferença entre o que é comercial e o que é novo. O comercial se apóia no que já conhecido e assimilável pelas massas, sendo mais fácil de ser vendido, já o novo, aquele que busca criar e sair do mais do mesmo, esse é de assimilação mais difícil, o que pode provocar rejeição e até oposição. Você com certeza deve saber disso, creio eu; mas será que vale a pena abrir mão da paixão que move alguém (ou deveria) na sua área profissional apenas pelo dinheiro ou sobrevivência? Sei que parece contraditório, mas é um problema inerente à própria lógica comercial; a limitação, estagnação e mediocridade dos meios criativos. Então, acredito que a escolha de qual caminho seguir, não deva vir do leitor, do público, mas sim do próprio profissional; em seguir a lógica vigente, muito mais fácil e segura; ou contrariar os padrões dominantes e abrir um corredor em pleno mar (a la Moisés :P) criando um novo conceito, um novo caminho, um novo futuro que se formata pela subversão às regras impostas, gerando uma nova acomodação no substrato das idéias tal qual um terremoto que desenha um novo ambiente, uma nova realidade (efeito borboleta :P).
Eu tenho visto muita gente com medo, medo de falar o que pensa, medo de contrariar a lógica da indústria, medo de perder facilidades e oportunidades. Não os culpo, afinal todo mundo precisa trabalhar para viver, mas é preciso escolher e arcar com as consequências depois pois toda ação tem sua reação.
Eu prefiro escolher e criar o meu caminho, se isso vai ser popular, se o que eu produzir vai ser amplamente conhecido e assimilado, se vou ter apoio ou “emprego”, pra mim não importa, pois, acima de tudo, o que eu decidir fazer, gastando meu tempo, minha energia, será uma coisa onde eu preciso me divertir, me sentir bem e realizado e seria muito frustrante me adequar a uma cartilha que visa assegurar os interesses daqueles que estão mamando nas tetas do sistema.
Acredito profundamente que vale muito a pena garimpar nesse imenso terreno fértil que é a criação, pois dela, em algum lugar, em algum momento; há de surgir pedras preciosas entre o público, que, lapidadas com paciência e perseverança, mostrarão o enorme potencial que possuem para assimilarem novas formas mais precisas e belas de ser.
Ótimo texto, gostei bastante dele e concordo com seu ponto de vista.
Acredito que quem produz o conteúdo nem sempre é o culpado. Afinal, todo mundo precisa ganhar dinheiro para garantir um teto e comida. É fácil para empresas adorarem modelos que já deram certo, porque elas não querem perder dinheiro. O que me incomoda é a facilidade com que as pessoas, a maioria delas, aceitam o “mais do mesmo”.
O novo choca, cria oposição e olhares de desconfiança. Mas acho que se forçarmos um pouco logo ele pode começar a conquistar quem o consome.