Desde que me dou por gente sempre fui fascinado por games. Gastei muito das minhas mesadas com fichas em fliperamas para jogar Double Dragon, e com o meu primeiro salário comprei um Nintendinho 8 bits. Por falta de grana passei meses apenas jogando Tiger Heli. Conheci um dos meus melhores amigos jogando Tekken (o primeiro) e muitos dias e noites perdi tentando virar Battletoads. E assim como essas, tenho várias outras lembranças em que os games estão bastante presentes.
Apesar desse gosto por games, eu nunca havia imaginado que isso poderia se tornar uma profissão. Os jogos, naquela época, não eram vistos como algo sério. Ou era coisa de vagabundo que frequentava os fliperamas, ou um brinquedo muito desejado pelas crianças. A indústria em si era algo tão distante quanto as fábricas no Japão da Sega e da Nintendo. E o principal, naquela época, um computador tinha o tamanho de uma sala de estar e nunca se imaginou uma profusão de computadores caseiros capazes de fazer games como existe hoje.
Hoje o Brasil, mesmo com uma forte cultura de games, ainda vive um atraso em desenvolvimento de jogos. Apesar do grande mercado consumidor e de estar cheio de pessoas tão ou mais fascinadas por esse universo como eu, ainda não possui uma forte cultura de criar e de enxergar como um modo de vida. São poucas as empresas que se destacam e poucos os grandes movimentos no contra-fluxo desse “atraso”
Argumentos para justificar esse momento são muitos, como a falta de apoio do governo, altos impostos, pirataria, etc, etc, e etc. Na minha opinião tudo não passa de uma desculpa rasa. Que esses são problemas que afetam diretamente na venda de consoles e softwares, e que isso afasta investidores, tudo bem. Mas esses motivos não valem para justificar a falta de bons trabalhos e do nascimento de uma indústria e uma cultura nacional de desenvolvimento de games.
Achar que um bom game é uma superprodução, que precisa ser comprado por um investidor e depois distribuído por uma das grandes do mercado é uma visão totalmente míope do assunto. Antes de queremos que o Brasil tenha empresas do porte de EA, Rockstar ou Activision, existe um longo processo de amadurecimento de uma cultura interna de desenvolvimento. Eu mesmo antes de me tornar produtor executivo da Aquiris não imaginava quantidade de possibilidades de tornar produção de jogos um negócio rentável.
A minha opinião é de que devemos usar a criatividade para achar essas possibilidades, explorando uma séria de ferramentas disponíveis e de domínio quase público. Quanto mais produzirmos, mais teremos experiência e mais longe poderemos chegar. Cito aqui alguns exemplos práticos de produção de games que podem ser exploradas nesse sentido:
Games sociais
Hoje mais de 7 milhões de pessoas são jogadoras ativas do FarmVille, um jogo em forma de aplicativo para o Facebook. Alguém até pode argumentar que o FarmVille não é um game. Mas sim, é um jogo, e seus lucros fizeram abrir os olhos de empresas como a EA que anunciou uma versão do Madden NFL para a ferramenta de relacionamento. Além desse algumas outras franquias famosas irão ganhar suas versões em forma de aplicativo, como Civilization, Spore e ainda atrai a atenção de outras grandes como a Ubisoft. Nunca se sabe quando e de onde pode sair um novo hit nesse formato, rendendo bons lucros em micro-transações pra os proprietários.
iPhone e iPod Touch
iPhone e iPod Touch cada dia mais se consolidam como uma plataformas de games, talvez até melhor que o Nintendo DS e outros portáteis. Publicar um aplicativo para eles não é tão complicado e muitos são os jogos nesse formato, que são vendidos em massa através da App Store. Hoje já existem várias empresas brasileiras desenvolvendo para os gadgets da Apple assim como grandes empresas de fora do país. Mas, para um bom jogo, sempre há espaço.
Advergames
Jogos para marcas e produtos já foram rotulados como moda, mas o tempo mostrou que hoje eles se tornaram ferramentas de mídia assim como um comercial de TV ou um outdoor. Ainda quero me aprofundar nesse assunto em um próximo texto, mas adianto que além de uma boa idéia, amarrar todas as etapas do game com o conceito do produto ou da campanha é o segredo pro sucesso pra jogos com essa característica.
Games Independentes
Diferente do que ocorre fora daqui, existe no exterior uma forte cultura de desenvolvimento de games independentes que são levados muito a sério. Existem sites, conferências e competições para esse tipo de jogos, que muitas vezes é o celeiro para um novo sucesso. World of Goo e Braid são exemplos de games que nasceram independentes e acabaram virando um sucesso de vendas pela web.
Estes são apenas alguns exemplos de caminhos que podem ser seguidos por aqueles, que como eu, mesmo que não tenha imaginado um dia fazer de algo prazeroso uma forma de vida, uma profissão. Meu desejo é que num futuro próximo, mais pessoas passem de fascinadas por games, por fascinadas em fazer games. E quanto mais pessoas se interessarem em achar alternativas para criar os seus próprios jogos, mais estaremos preparados para desenvolver um mercado interno forte, abrindo portas pra muita gente e criando uma cultura brasileira de games.
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O colunista Rafael Rodrigues é Produtor Executivo na Aquiris Game Experience (site), desenvolvedora de games de Porto Alegre (RS).











Realmente as vezes falta coragem para investir neste segmento, precisamos de desbravadores mesmo, pessoal ainda encara o mercado nacional com o pé atrás.
Pois é. Achei que os jogos brazuca iriam dar um passo a mais com o lançamento de Outlive, mais infelismente o foco no mercado internacional engoliu a proposta.
Excelente texto, parabéns!
O mercado brasileiro tem muito a crescer, realmente. Penso que a grande maioria nào investe além do mercado de advergames e mobile por medo, falta de profissionais qualificados, ou pela falta de capital para investir. Que tem gente fazendo jogos para PC e DS, isso tem. Mas é uma minoria… e que exporta.
Mesmo assim eu boto fé no desenvolvimento de jogos no Brasil. Bola pra frente, pessoal!
Eu serei uma dessas gerreiras!
Em meu penúltimo ano da faculdade, decidi fazer da minha paixão, profissão: desenvolver games.
Ainda mais com as minhas aulas de Engenharia de Software, eu estou muito empolgada.
Torçam por mim! ;D
gostei de seu comentario, estrava procurando empresas desenvolvedoras de jogos para mim entrar em contato, pois eu tenho uma ideia muito boa, que elevaria o brasil a outro nivel em jogos online..